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O mercado de aços PLANOS ainda procura seu rumo

Segundo Carlos Jorge Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço - Inda, o ano passado exigiu muitos malabarismos dos empresários e gestores das empresas de distribuição e centros de serviços de aço e este ano de 2011 tem tudo para repetir a dose.
A chegada muito intensa de aços importados fez de 2010 um ano de muitas inseguranças e dificuldades para a rede de distribuição e centros de serviços de aço espalhados por todo o Brasil. A boa capitalização das empresas e algumas atitudes positivas dos empresários evitaram um mal maior.
Apesar do consumo aparente dos aços planos ter crescido 40,3% em relação ao ano de 2009, o que demonstra a aceleração da atividade econômica e aumento no consumo de aço, grande parte deste volume veio do exterior. Este consumo aparente foi positivo também comparado ao de 2008, com um crescimento de 10,1%. Consumo aparente representa a venda das usinas nacionais no mercado interno mais as importações.
A produção brasileira de aços brutos em 2010 alcançou o volume de 32,8 milhões de toneladas, enquanto em 2009 foi de 26,5 milhões de toneladas, um crescimento de 23,7%. As importações atingiram 5,9 milhões de toneladas, 154% acima de 2,3 milhões de toneladas do ano anterior.
Loureiro entende que as usinas siderúrgicas terão muitas dificuldades em manter os preços ora praticados, devido à alta dos preços dos insumos como minério de ferro, que agora tem alterações trimestrais e os do carvão que vêm apresentando grandes oscilações no mercado spot e que deverão refletir-se também nos contratos de longo prazo, principalmente devido ao problema das enchentes ocorridas na Austrália, país onde estão localizados os principais produtores e fornecedores da indústria siderúrgica.
Há ainda a questão dos preços internacionais, que vêm crescendo e hoje já se verifica em algumas situações que o preço do aço nacional pode ser encontrado em torno de 5% mais barato. Ele acredita que devido a todos estes fatores as encomendas já do mês de abril para a rede de distribuição deverão ser mais caras.
Outro grande problema que a rede de distribuição enfrenta é o volume de estoques. Ela fechou o ano com 1.202,9 mil toneladas que representa 4,3 meses em estoque. Para efeito de comparação, a média histórica do setor é de 2,8 meses em estoque. Para Loureiro esta situação só deve regularizar-se a partir de maio de 2011.
O crescimento das vendas das empresas associadas do Inda em 2010 foi de 13%, bem dentro da faixa preconizada pelo próprio Loureiro no início do ano, de 10 a 15%. As compras registraram um crescimento de 38,8% se comparadas com 2009 e os estoques tiveram uma disparada e fecharam com um crescimento de 53,1%.
No mesmo período as importações especificamente de CG, LQ, LF e zincados, segundo registros do Inda, baseados nas informações da Cacex e do IABr, passaram de 1.301,3 mil toneladas em 2009 para 3.700,2 mil toneladas em 2010, o que corresponde a um aumento de 184,3%.
Em uma análise pouco mais pormenorizada do mercado, Loureiro acredita que em janeiro ainda deverão entrar no Brasil perto de 180 mil toneladas de aços importados, abaixo do volume de dezembro, que ficou em 266 mil toneladas. Para fevereiro ele espera que este número seja menor do que 150 mil toneladas, indicando uma tendência decrescente.
Loureiro explica que economicamente já não é mais interessante trazer aço de fora pois com a acomodação dos preços pelas usinas nacionais - que passou a ocorrer desde meados de setembro do ano passado - e com o crescimento dos preços nos mercados internacionais, a diferença é muito pequena e os riscos são grandes. Houve também alguns episódios principalmente envolvendo as tradings companies que em determinado momento trouxeram excedentes em aço, mas que acabaram amargando alguns prejuízos inesperados.
Olhando para diante em 2011, Loureiro acredita que o consumo aparente não crescerá mais do que 15% e que a rede de distribuição terá um crescimento de 7 a 12%.
Um problema que ele vê a médio e longo prazos é de que as usinas siderúrgicas perderam muito da força que tinham. Elas estão trabalhando com uma margem muito reduzida, o que não permite o acúmulo de recursos para novos investimentos e aperfeiçoamento de processos.
Segundo ele "É só olhar para a fotografia do momento da siderurgia nacional". O grupo ArcelorMittal está com um forno desativado em Tubarão, no Espírito Santo porque não tem competitividade internacional. A Usiminas cancelou definitivamente o projeto da nova usina em Minas Gerais e deve caminhar para aumento de capacidade nas plantas existentes. Com isso enterrou milhões de reais que já haviam sido gastos com projetos iniciais.
Questionado sobre as causas desta situação, Loureiro diz que não quer entrar no mérito da questão, mas os juros e o câmbio irreal estão desindustrializando o Brasil. Os nossos superávits comerciais somente foram obtidos com a exportação de produtos primários como minérios pela Vale e alguns tipos de grãos na sua forma mais natural. Ou seja, só temos resultados nas exportações de commodities. "Estão se esquecendo do valor agregado" - conclui.