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REVOLUÇÃO NO MERCADO DE AÇO O ano de 2010 foi marcado por um intenso crescimento na importação de produtos siderúrgicos, que caracterizou, mais do que uma simples evolução, uma verdadeira revolução. "Evolução é quando as coisas acontecem aos poucos, mas quando ocorrem de uma forma drástica, ocorre uma ‘revolução'", define Christiano Freire, diretor-presidente da Frefer Metalplus e ex-presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). "Considerando os dados consolidados até novembro de 2009, as importações de aços planos foram de 1,170 milhão de toneladas. No mesmo período de 2010, alcançaram 3,431 milhões. Isso quer dizer que as importações quase triplicaram! Em termos de participação no mercado, elas passaram de 6,7% em 2008 para 12,8% em 2009 e em 2010 devem chegar a 22,7%." Segundo Christiano Freire, o aumento das importações foi uma reação à entrada das usinas no setor de distribuição. "Elas provocaram uma reação dos distribuidores independentes, que se defenderam recorrendo às importações. As distribuidoras coligadas às usinas começaram 2009 vendendo seus produtos com preços similares aos cobrados pelas usinas dos demais distribuidores. Os distribuidores passaram a importar, pois o mercado externo oferecia prêmios elevados, que chegavam a 30% dos preços das usinas nacionais." Mercado desordenado Esse movimento de importação provocou uma desordem no mercado domésticos de aço, forçando as usinas a adotar algumas medidas. A primeira foi reduzir os prêmios que cobravam no mercado interno sobre os preços do mercado externo. "Elas se conscientizaram de que o mercado brasileiro não aceita pagar prêmios de 30% ou 20% sobre o preço externo", explica Christiano Freire. "Esse prêmio deveria ser, no máximo, de 10%. Eu acho que agora o mercado vai se adequar a uma nova realidade, em que as importações não vão desaparecer, mas vão ocorrer num nível mais aceitável." De acordo com o executivo, os preços domésticos já estão começando a ficar similares aos internacionais, o que configura uma importante mudança em relação ao que vinha acontecendo até o primeiro semestre de 2010. "Para exportar, as usinas tinham que praticar os preços mundiais, mas os preços do mercado doméstico eram aqueles que as usinas estabeleciam e que o mercado suportava pagar. Hoje, o mercado está de olho nos preços externos, e cada vez que eles não forem respeitados, as importações devem crescer. Essa medida já começou a surtir efeito, reduzindo as importações de 460 mil para 260 mil toneladas, entre outubro e novembro de 2010, e em dezembro provavelmente caíram para 150 mil toneladas. No primeiro trimestre de 2011, também devem ficar entre 150 e 200 mil toneladas", estima Freire. "Em 2011, as importações devem atingir algo em torno de 2 milhões de toneladas, um volume muito mais aceitável num mercado cuja demanda deve crescer 10%." Christiano Freire também se mostra otimista com as perspectivas de redução dos estoque nos primeiros meses de 2011, que atingiram o equivalente a 4 meses de vendas, mas em novembro já caíram para 3,8 meses e, até março de 2011, devem retornar ao patamar médio do setor, de 2,5 meses. "Em 2010, a demanda de produtos siderúrgicos se manteve estável na casa de 320 mil toneladas mensais e, no Inda, nós estimamos que, em 2011, a demanda se manterá estável na casa das 350 mil toneladas mensais", avalia Freire. Crescimento inexorável Sobre a perspectiva de crescimento da economia nacional, Christiano Freire acredita que essa é a única forma de evitar um ‘apagão industrial'. "As indústrias estão operando no limite de sua capacidade instalada. Se não se investir para ampliar a capacidade produtiva, de transporte, de realizar colheitas e para ampliar a infraestrutura, esse apagão será inevitável. Isso sem falar nos investimentos necessários para viabilizar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos", diz Freire. "Ou seja, o governo só vai conseguir reduzir a taxa de juros criando condições para ampliar toda a capacidade produtiva do país. A crise de 2009 provocou uma paralisação generalizada nesses investimentos, mas agora os brasileiros estão consumindo cada vez mais e alguns produtos já começam a faltar no mercado. E investimento em capacidade produtiva implica automaticamente aumento no consumo de aço. Também é preciso considerar a demanda futura dos projetos do pré-sal, que sequer começaram a ser executados, assim como os da Vale", argumenta Christiano Freire. Tendências do setor Considerando o crescimento que se espera na economia e na demanda de aço, as empresas do setor de distribuição também precisarão fazer grandes investimentos para ampliar sua capacidade de produção e de armazenagem. "Para isso, as empresas vão precisar de um caixa muito forte, porque, no nosso setor, a disponibilidade de recursos é uma questão nevrálgica. Nesse contexto, só devem sobreviver as empresas profissionalizadas e que investirem em maquinário produtivo", adverte Christiano Freire. Segundo ele, além desses investimentos, outras mudanças devem ocorrer no setor de distribuição. "As empresas coligadas às usinas acabaram se tornando muito grandes em comparação com as distribuidoras independentes. As empresas do sistema Usiminas, por exemplo, têm 17% de market share do setor de distribuição, as da ArcelorMittal têm 16% e a Prada tem 9%. Enquanto isso, a Frefer, que é a maior distribuidora independente, tem somente 5%, ou seja, um terço da participação média das empresas coligadas às usinas", compara Christiano Freire. "As coligadas ficaram grandes demais e, portanto, difíceis de serem administradas. Elas cresceram ou se fundiram rápido demais e devem demorar um pouco para acomodar esse crescimento. Mas as empresas independentes também têm um desafio, que é o de crescer para alcançar o equilíbrio com as coligadas. E para isso, será necessário que ocorram fusões ou aquisições no setor. Com a implementação desse novo modelo, o mercado ganha em todos os sentidos, pois haveria uma briga por competência, por qualidade e por entregas bem feitas, com benefícios imediatos para os clientes em geral. Em minha opinião, o setor de distribuição de aço já atingiu a maturidade para dar esse grande passo", finaliza. www.frefermetalplus.com.br |





























