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Qual deve ser o foco em 2011?
Começa um novo ano e o momento é de muita análise e reflexão. O pânico provocado pela invasão de produtos importados em 2010 parece estar ficando sob controle, graças às estratégias armadas pelas empresas para enfrentar esse fator que se instalou nos mercados. As usinas siderúrgicas, por exemplo, frente aos problemas que vêm enfrentando com a queda no mercado interno e a dificuldade para exportar diante da competitividade internacional e a valorização do real, estão se readaptando. Estrategicamente, suspenderam os investimentos em novos projetos e se voltaram para a melhoria de sua produtividade e qualidade. Os centros de serviços e distribuidores de aço se vêem às voltas com um problema que, volta e meia, se repete, que é o surgimento de excedentes em seus estoques, um fenômeno que provoca uma grande incerteza sobre seus próximos resultados. Além do custo financeiro dos enormes recursos investidos no aço parado em seus armazéns, a pressão do mercado deixa os preços e, consequentemente, as margens de lucro absolutamente fora de controle. As empresas só não sentiram reflexos mais drásticos em seus fluxos de caixa por estarem suficientemente capitalizadas para manter tais estoques. Pode parecer um paradoxo, mas, mesmo com esse quadro de apreensão quanto ao futuro, o setor siderúrgico registrou um significativo crescimento em 2010. Vejamos as estatísticas: o Brasil bateu o recorde de consumo aparente de produtos siderúrgicos, que resulta da produção, mais as importações e menos as exportações. Em 2010, esse número cresceu mais de 40% em relação a 2009. A produção de aço também cresceu mais de 32% em 2010, e a rede de distribuição, representada pelos centros de serviço e distribuidoras independentes, registrou vendas 13% superiores ao ano anterior. São números que, isoladamente, mostram o consistente crescimento desse setor. E quais seriam as apostas para 2011? Estas são as principais opiniões que ouvimos nos últimos dias: o dólar não sinaliza grandes variações em 2011; a taxa de juros, usada como uma ferramenta de controle da inflação, deve permanecer alta, inibindo novos investimentos que não sejam no mercado de capitais; o processo de desindustrialização, que caminha a passos largos e que tende a tornar o Brasil um mero exportador de minérios brutos e de commodities agrícolas, deve ganhar mais força.
É hora de fazermos nossas apostas para conferir os resultados ao longo do ano.
Henrique Isliker Pátria
Editor Responsável
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